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domingo, 19 de setembro de 2010

História Mundial da RCC

A História da RCC

história da RCC - foto 04

Histórico

1 - Introdução

A Igreja, ao longo de sua história, tem presenciado o surgimento de muitos "despertares"(2) e movimentos de “renovação”. Como observa o conceituado teólogo Heribert Mühlen, em muitos deles “irrompe assim, novamente, a vitalidade pentecostal da Igreja, e isso de um modo nunca previsto”(3).

O "século da Igreja", como foi muitas vezes definido o século XX, já se iniciará sob o signo de uma necessidade: o desejo da presença criadora e libertadora do Espírito.(4)

Em 9 de maio de 1897, o Papa Leão XIII publicou a Encíclica Divinum Illud Munus, sobre o Espírito Santo(5), "lamentando que o Espírito Santo fosse pouco conhecido e apreciado, concita o povo a uma devoção ao Espírito". A leitura, os sermões e livros sobre este documento influenciarão muitas pessoas, estimulando também um número importante de estudos sobre o papel do Espírito Santo na Igreja.(6)

Passadas algumas décadas e convocado solenemente no dia 25 de dezembro de 1961, através da Constituição Apostólica Humanae Salutis, a vida da Igreja contemporânea ficará profundamente marcada pelo Concílio Vaticano II (1962-1965).

Superando a fase apologética defensiva contra o mundo moderno, teve o Concílio o mérito de recolher e direcionar vozes proféticas do século XIX, que buscaram redescobrir a integridade e o ministério da Igreja, bem como movimentos na primeira metade do século XX, entre eles: Movimento Litúrgico, Movimento Bíblico, Movimento Ecumênico, etc., e que traziam um desejo comum: "renovar a vida da Igreja e dos batizados a partir de um retorno às origens cristãs"(7) .

Para seu promotor, o Papa João XXIII(8) , o Concílio deveria ser uma "abertura de janelas" para que um "ar novo e fresco" renovasse a Igreja.

Depois de quatro etapas conciliares, o Papa Paulo VI encerrou o Concílio Ecumênico Vaticano II em uma cerimônia ao ar livre, na Praça de São Pedro, no dia 8 de dezembro de 1965.

Tendo também sido qualificado como o Concílio do Espírito Santo, "O Vaticano II foi um verdadeiro Pentecostes como o mesmo João XXIII havia desejado e ardentemente pedido”(9) e, embora a dimensão carismática jamais deixasse de existir na realidade e na consciência eclesial, sobretudo na Lumen Gentium, em seu primeiro capítulo, o Vaticano II nos torna manifesto esta realidade não como algo secundário, mas como fundamental. Segundo este documento a Igreja é intrinsecamente carismática.

O Concílio Vaticano II não vê nenhum motivo para que se estabeleça uma oposição entre "carisma" e "ministério" ou "carisma" e "instituição"; tal como as instituições e os ministérios, os carismas são realidades igualmente essenciais para a Igreja. O Concílio consegue, assim, superar as antigas impostações dicotômicas que predominaram no campo teológico por vários anos e recupera o equilíbrio salutar da eclesiologia: o Espírito guia a Igreja e a "unifica na comunhão e no ministério; dota-a e dirige-a mediante os diversos dons hierárquicos e carismáticos" (LG 4)(10).

Na perspectiva do Cardeal Suenens, João XXIII estava consciente de que a Igreja necessitava de um novo pentecostes e acrescenta: “Agora, olhando para trás, podemos dizer que o concílio, indicando a sua fé no carisma, fez um gesto profético e preparou os cristãos para acolher a Renovação Carismática que está se espalhando por todos os cinco continentes”(11) .

Na compreensão que tem de si, a Renovação Carismática se percebe como um acontecimento estreitamente vinculado ao Concílio:

A Renovação Carismática apareceu na Igreja Católica no momento em que se começava a procurar caminhos para pôr em prática a renovação da Igreja, desejada, ordenada e inaugurada pelo Concílio Vaticano II.

Não se havia passado um ano sequer ao término do Concílio, quando em 1966 começou a despontar o fenômeno religioso chamado agora Renovação Carismática(12) .

Não sendo, pois, um acontecimento isolado, podemos localizar a Renovação Carismática como um dos desdobramentos da evolução da espiritualidade pós-conciliar.


2 - O nascimento da Renovação Carismática Católica.


A Renovação Carismática Católica, ou o Pentecostalismo Católico, como foi inicialmente conhecida, teve origem com um retiro espiritual realizado nos dias 17-19 de fevereiro de 1967, na Universidade de Duquesne (Pittsburgh, Pensylvania, EUA).(13)

Em uma carta enviada dois meses após (29 de abril de 1967), a um professor, Monsenhor Iacovantuno, Patti Gallagher, uma das estudantes que participou do retiro, assim relatou o que aconteceu naqueles dias:

Tivemos um Fim de Semana de Estudos nos dias 17-19 de fevereiro. Preparamo-nos para este encontro, lemos os Atos dos Apóstolos e um livrinho intitulado "A Cruz e o Punhal" de autoria de David Wilkerson. Eu fiquei particularmente impressionada pelo conhecimento do poder do Espírito Santo e, pelo vigor e a coragem com que os apóstolos foram capazes de espalhar a Boa Nova, após o Pentecostes. Eu supunha, naturalmente, que o Fim de Semana me seria proveitoso, mas devo admitir que nunca poderia supor que viria a transformar a minha vida!

Durante os nossos grupos de discussão, um dos líderes colocou em tela o fato de que nós devemos confirmar constantemente os nossos votos de Batismo e de Crisma, assim como devemos ter a alma mais aberta para o Espírito de Deus. Pareceu-me curioso, mas um pouco difícil de acreditar quando me foi dito que os dons carismáticos concedidos aos apóstolos são ainda dados às pessoas nos dias atuais – que ainda existem sinais do poder divino e milagres – e que Deus prometeu emanar o seu Espírito para que se fizesse presença a todos os seus filhos. Decidimos, então, efetuar a renovação dos votos de Batismo e de Crisma como parte do serviço da missa de encerramento, no domingo à noite. Mas, no entanto, o Senhor tinha em mente outras coisas para nós!...

No sábado à noite, tínhamos programado uma festinha de aniversário para alguns dos colegas, mas as coisas foram simplesmente acontecendo sem alternativa. Fomos sendo conduzidos para a capela, um de cada vez, e recebendo a graça que é denominada de Batismo no Espírito Santo, no Novo Testamento. Isto aconteceu de maneiras diversas para cada uma das pessoas. Eu fui atingida por uma forte certeza de que Deus é real e que nos ama. Orações que eu nunca tinha tido coragem de proferir em voz alta, saltavam dos meus lábios. (...) Este não era, pois um simples bom fim de semana, mas, na realidade, uma experiência transformadora de vida que ainda está prosseguindo e se desenvolvendo em crescimento e expansão.

Os dons do Espírito já são hoje manifestados – e isto eu posso testemunhar, porque tenho ouvido pessoas orando em línguas, outras praticam curas, discernimento de espíritos, falam com sabedoria e fé extraordinárias, profetizam e interpretam.

Eu, agora, tenho certeza de que não há nada que tenhamos de suportar sozinhos, nenhuma oração que não seja atendida, nenhuma necessidade que Deus não possa cobrir em sua riqueza! E, no depender dele e louvá-lo com fidelidade, eu sinto uma tremenda sensação de liberdade.

Podemos tentar viver como cristãos, morrendo para nós mesmos e para o pecado, mas esta será uma luta desanimadora se não contarmos com o poder do Espírito. Ainda existem tentações e problemas, mas agora tenho a certeza e a confiança em Deus, agora ele me dá segurança. Realmente, transforma-me a viver nele. É verdade que na Crisma, nós recebemos o Espírito Santo e que nós somos seus templos, mas nós não nos abrimos o suficiente para receber em nossas vidas os seus dons e o seu poder. É certo que o Espírito Santo é o nosso professor: eu dele aprendi tanto e em tão pouco tempo!

As Escrituras vivem! Amém! Eu estou segura de que jamais poderia ter acumulado por minha própria conta tanto conhecimento, apesar de todo o esforço desenvolvido, e com as melhores intenções que tivesse.

(…) Eu me vi, de repente, conversando com as pessoas sobre Cristo, e, vendo desde logo o resultado desse trabalho! Eu jamais teria ousado fazer essas coisas no passado, mas agora, é ao contrário: é impossível deixar de fazê-lo. É como disseram os apóstolos depois de Pentecostes: “Como podemos deixar de falar sobre as coisas que vimos e ouvimos!" (…)(14) .

Estas notícias se divulgaram rapidamente, causando um grande impacto no meio religioso universitário. O “Fim de Semana de Duquesne”, como ficou mundialmente conhecido este retiro, tem sido geralmente aceito como o ponto de partida que deu origem à Renovação Carismática Católica, cuja abrangência estender-se-á, num curto período de tempo, por um grande número de países.

A experiência inicial vivida nestas universidades, caracterizada por um reavivamento espiritual por meio da oração, da vida nova no Espírito, com a manifestação dos seus dons, tomará corpo, transpondo rapidamente o ambiente onde foi originada.

Através das reuniões, seminários e encontros, em breve, aparecerão grupos de oração noutras universidades, paróquias, mosteiros, conventos, etc. Os testemunhos multiplicam-se, vindos dos mais variados grupos de pessoas: operários, ex-presidiários, professores, religiosos das mais diversas ordens.

Kevin e Dorothy Ranaghan ainda registram um aspecto pouco divulgado desta história inicial da Renovação Carismática:

Nossa suspeita de que essa experiência de renovação, que agora estava espalhada, não era nova para os católicos americanos, foi confirmada, quando ouvimos notícias ou recebemos cartas de pessoas ou grupos de católicos ao redor do país. Da Flórida, Califórnia, Texas, Wisconsin, Massachusetts, tivemos notícias do trabalho calmo do Espírito Santo no decorrer dos anos(15) .

Portanto, embora os primeiros momentos da Renovação tenham se dado em torno do retiro de Duquesne e apesar de estarem os americanos igualmente presentes no seu nascimento em diversos outros países, seria falso atribuir a expansão da Renovação Carismática unicamente à sua influência. Como afirma Monique Hébrard, a Renovação Carismática “explodiu quase ao mesmo tempo em todos os cantos da terra e em todas as igrejas cristãs, sem que se saiba muito bem como é que o fogo se ateou”(16) .

Para o Cardeal Suenens isto também despertou uma curiosidade, ou seja, “sem nenhum contato entre si, parece que o Espírito Santo suscitou em vários lugares do mundo experiências que, se não são iguais, certamente são semelhantes”(17).


3 - A expansão da Renovação Carismática Católica

3.1 Crescimento

O fato de muitos canadenses estudarem em Notre Dame e outras universidades da Região dos Lagos, fez com que a Renovação Carismática fosse levada ao Canadá também em 1967, conhecendo aí um rápido crescimento.

Já em 1968 foi realizado nos EUA o primeiro congresso nacional, com 100 participantes; em 1969, 300; em 1970, 1.300; em junho de 1971, 5.000 e em 1972, 12.000.

Em 1973, aconteceu o primeiro congresso internacional em South-Bend, Indiana, contando com 25.000 participantes e outro em Roma, com 120 líderes de 34 países; em 1974, o segundo Congresso Internacional, em South Bend, reuniu 30.000 participantes vindos de 35 países, estando presentes 700 padres e 15 bispos. Em Roma houve, em 1974, um segundo Congresso, com 220 líderes, vindos de 50 diferentes países. Foi uma preparação para o terceiro Congresso Internacional, realizado de 16 a 19 de maio de 1975, que reuniu 10.000 participantes provenientes de 54 países.(18)

Entre os anos de 1970 – 80 a Renovação já estava presente em outros países de língua inglesa (Inglaterra, 1970-71; Austrália, 1970; Nova Zelândia, 1971) bem como da Europa Ocidental (França 1971-72; Bélgica, 1972; Alemanha, 1972; Itália, 1973; Espanha 1973-74; Portugal, 1974). Na Europa Oriental, a Renovação chegou apenas na Polônia (1976-77), já na América Latina, na maioria dos países, ela chegou entre 1970-74, quando também apareceu em países da Ásia, como Coréia (1971) e Índia (1972). Foi durante esta década que apareceram muitas comunidades carismáticas(19) . Os países onde elas inicialmente floresceram foram os Estados Unidos, França e Austrália. Delas as mais influentes foram: Word of God, Ann Harbor, Michigan (EUA); People of Praise, South Bend, Indiana (EUA); Aleluia, Augusta, Geórgia (EUA); Emmanuel, Brisbane (Austrália); Emmanuel, Paris (França); Chemim Neuf, Lyon (França); e Leão de Judá (mais tarde chamada de Beatitudes), Cordes (França). Essas comunidades tornaram-se responsáveis por organizarem muitos dos serviços da Renovação, tais como retiros, congressos e revistas de divulgação, onde destacam-se: a New Covenant (EUA), Il Est Vivant (França) e Feu et Lumière (França)(20).

Entre 1980-90 a Renovação Carismática ampliará suas relações com a hierarquia, durante este período haverá um esforço de aproximação entre os diversos países e a consolidação de organizações nacionais e internacionais.

Na década seguinte, marcada pela mudança de regime político do leste europeu, surgiram muitos grupos de oração nos países que compunham a antiga União Soviética. Também na África, Ásia e América Latina, muitos países têm registrado um crescimento da Renovação. Filipinas, Brasil e México estão entre os países com o maior número de participantes e grupos de oração.


3.2 Tamanho

David Barret e Tood Johnson, em um amplo levantamento quantitativo, realizado entre os anos de 1995 e 2000, apresentaram a expansão da Renovação Carismática, desde seu surgimento em 1967, com as primeiras reuniões de oração, até mais recentemente no ano 2000, com sua ampla difusão mundial (Tabela 1)(21) .


Tabela 1. Crescimento numérico da Renovação Carismática Católica, 1967-2000.

Participantes

%

Ano

No G.O

Semanal

Mensal

Anual

Envolvidos

Famílias

Comunidade

Cat.

1967

2

Primeiros Grupos de Oração Carismáticos formados nos Estados Unidos

0,0

1970

2.185

238.500

500.000

1.000.000

1.600.000

2.000.000

2.000.000

0,3

1973

3.000

900.000

2.000.000

3.500.000

5.000.000

7.000.000

8.000.000

1,1

1975

4.000

1.995.730

3.000.000

6.000.000

9.000.000

11.000.000

15.000.000

2,7

1980

12.000

3.000.000

4.771.390

7.700.000

16.000.000

30.000.000

40.000.000

5,0

1985

60.000

4.200.000

7.547.050

12.000.000

22.000.000

40.100.000

63.500.000

7,3

1990

90.000

7.000.000

10.100.000

17.000.000

30.000.000

45.000.000

85.000.000

9,2

1995

127.000

11.000.000

14.000.000

20.000.000

34.000.000

60.000.000

104.900.000

10,4

2000

148.000

13.400.000

19.300.000

28.700.000

44.300.000

71.300.000

119.900.000

11,3



A tabela indica que em 1970 já haviam grupos de oração em 25 países e em 1975, em 93. No ano de 2000 a Renovação Carismática encontrava-se presente em 235 países, por onde se distribuíam cerca de 148.000 grupos de oração.

Nesta pesquisa os participantes foram divididos em seis categorias: “semanal”, “mensal”, “anual”, “envolvidos”, “famílias” e “comunidade”. As quatro primeiras contabilizam pessoas adultas e as duas últimas incluem também as crianças.

Na primeira categoria encontram-se os que comparecem semanalmente a um grupo de oração, são considerados a “tropa de choque” da Renovação Carismática e estavam estimados no ano 2000 em aproximadamente 13,4 milhões pessoas.

A categoria “mensal” identifica os que participam nas reuniões de oração em uma ou mais vezes por mês, com aproximadamente 19,3 milhões de pessoas, e a categoria “anual”, com aproximadamente 28,7 milhões de pessoas, cobre os adultos com menos regularidade, que muitas vezes participam somente durante um congresso ou grande evento anual.

Os classificados como “envolvidos” são os que se identificam perante a opinião pública como católicos carismáticos, também são incluídos um grande número de católicos de movimentos de renovação. Correspondem a 44,3 milhões de pessoas.

Incluindo adultos e crianças, foram ainda quantificadas a categoria “família”, com um número 71,3 milhões de pessoas e a categoria chamada de “comunidade”, onde são contabilizados católicos carismáticos ativos, os que se tornaram irregulares ou menos ativos, os que atuam em outras atividades ou se tornaram inativos, perfazendo um total de 119,9 milhões de pessoas, o que representa 11,3% do total de católicos batizados.

Como podemos constatar, trata-se de um crescimento que não passa despercebido, a Renovação é sem dúvida um dos maiores acontecimentos religiosos da atualidade.

3.3 Organização

Desde o princípio, os integrantes da Renovação, para melhor promover suas atividades, sentiram a necessidade de organizarem-se, contando para isto com equipes de âmbito local, regional, nacional e internacional. Essas equipes têm como função promover uma articulação entre suas coordenações e garantir sua unidade.

O Grupo de Oração é a base da estrutura da Renovação Carismática. Organizados geralmente nas paróquias e liderados por leigos, eles são formados por um número variado de pessoas, em reuniões que acontecem semanalmente.

Muitos dos grupos de oração deram origem às comunidades carismáticas(22) , onde os laços de vida entre seus integrantes são mais estreitos. Estas comunidades têm várias estruturas, vocações, formas e graus de dedicação. Algumas delas foram muito importantes para o desenvolvimento e propagação da Renovação.

Além de encontros nos grupos de oração, os membros da Renovação Carismática se reúnem com alguma freqüência em encontros de oração, que ocorrem nos fins de semana, na forma de retiros visando aprofundar o conhecimento de Renovação e preparar novos líderes. Podem ser organizados em âmbito paroquial, diocesano, etc. Igualmente, em média uma vez por ano, ocorrem em cada Estado ou Diocese os Cenáculos que são grandes encontros que reúnem milhares de pessoas em estádios de futebol, ou ginásios esportivos, onde realizam-se dias de oração semelhantes aos que ocorrem nos grupos de oração.

Assim, a Renovação criou uma organização interna que lhe dá um elevado grau de maleabilidade: por um lado, cada grupo de oração goza de grande autonomia, podendo realizar suas reuniões conforme as necessidades específicas de seus membros; por outro, as equipes de coordenação, atuando por meio das atividades auxiliares, garantem à Renovação Carismática uma linha comum.(23)

Em Roma, a Renovação conta com um Escritório Internacional, que teve como origem um centro de comunicação que surgiu em Ann Arbor, Michigan. Esta cidade, tornou-se um centro de referência no início da Renovação Carismática nos EUA e como relata Ralph Martin:

Logo começamos a receber correspondência e visitantes do mundo inteiro. Um centro de comunicação internacional informal cresceu e acabou sendo formalizado no início da década de 70, sendo chamado de ICO (“International Communication Office” – Escritório Internacional de Comunicação)(24).

Em 1976, o Cardeal Suenens convidou Ralph Martin para mudar-se para Bruxelas na Bélgica. Indo para lá levou também o ICO, tornando-se o seu primeiro presidente. Em 1978, o escritório passou a ser formado por nove integrantes, que representavam os cinco continentes. Ao final deste ano Pe. Tom Forrest passa ser seu novo presidente e em 1981 o ICO foi transferido para Roma, passando a ser chamado de ICCRO (“International Catholic Charismatic Renewal Office” – Escritório Internacional da Renovação Carismática), tendo em sua presidência o Pe. Fio Mascarenhas da Índia (1981-87), que foi sucedido pelo Fr. Ken Metz dos Estados Unidos (1987-94).(25)

Através do ICCRO a Renovação sentiu a necessidade de solicitar à Santa Sé um reconhecimento oficial. Após um lento e rigoroso trabalho, realizado pelos membros do ICCRO e com o apoio de alguns bispos e cardeais, foram apresentados os “Estatutos do ICCRO”, que depois de analisados por teólogos e canonistas do Vaticano, passaram por alguns ajustes e foram aprovados em 8 de julho de 1993 com o titulo de “Estatutos ICCRS” (“International Catholic Charismatic Renewal Service” – Serviço Internacional da Renovação Carismática Católica)”, onde são detalhados sua natureza, objetivos e estrutura.(26)

Em 14 de setembro de 1993, através do Pontifício Conselho para os Leigos foi expedido o decreto de reconhecimento do ICCRS(27) . Do ano de 1994 até 2000, o ICCRS foi presidido por Charles Whitehead (Inglaterra) e a partir de 2000 tem à sua frente Allan Panozza (Austrália)(28) .

O ICCRS reúne seus membros com freqüência para discutir e planejar a Renovação em âmbito mundial. Realiza retiros e encontros internacionais, mantém um site na internet(29) e publica o "Boletim do ICCRS", com notícias e material de formação em inglês, francês, italiano, espanhol e português.

Outra organização internacional importante é a CFCCCF ("Catholic Fraternity of Charismatic Covenant Communities and Fellowships" - Fraternidade Católica das Comunidades de Aliança e Vida). Composta por mais de 50 comunidades espalhadas pelo mundo, teve em novembro de 1990, seus Estatutos reconhecidos pelo Pontifício Conselho para os Leigos. (30)

Na América Latina, sediado atualmente na cidade do México, há o CONCCLAT (Conselho Carismático Católico Latino Americano), um organismo continental criado em 1972 que tem como objetivo promover o intercâmbio e refletir sobre a experiência da Renovação Carismática nos ambientes culturais católicos latino-americanos. Através do CONCCLAT acontece a cada dois anos o ECCLA (Encontro Carismático Católico Latino Americano).

Ao mesmo tempo em que se estruturava no plano internacional, a Renovação também se organizava em âmbito nacional (vide RCC no Brasil)




Legenda

1-Síntese realizada a partir da obra de VOLCAN, Marcos Dione Ugoski. Renovação Carismática Católica: uma leitura teológica e pastoral. Tese de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, 2003.

2-"Épocas caracterizadas por manifestações particularmente intensas de dons e operações do Espírito." (CANTALAMESSA, Raniero. O Canto do Espírito. Meditações sobre o "Veni Criator". 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1998, p. 189).

3-MUHLEN, Heribert. Fé cristã renovada: carisma, Espírito, libertação. São Paulo: Edições Loyola, 1980, p. 6.

4-Cf. FORTE, Bruno. A Igreja ícone da Trindade: breve eclesiologia. São Paulo: Loyola, 1987, p.13. (Coleção Vaticano II - Comentários - 3).

5-Tradução portuguesa: Sobre o Espírito Santo. 2a. ed. Petrópolis: Vozes, 1946. (Coleção Documentos Pontifícios V) - Alguns autores, fazem referência à influência que uma italiana, Irmã Elena Guerra, teria tido na publicação desta encíclica. A religiosa foi fundadora, em Lucca, Itália, das Irmãs Oblatas do Espírito Santo. Aos cinqüenta anos sentiu-se inspirada em escrever ao Papa Leão XIII, instando-lhe que renovasse a Igreja através da promoção de um retorno ao Espírito Santo. Entre os anos de 1895 e 1903 lhe escreveu 12 cartas onde também sugere que estabeleça uma devoção em toda a Igreja como um "permanente e universal Cenáculo". Além da publicação da referida encíclica, em 1o de janeiro de 1901, Leão XIII dedicou o século XX ao Espírito Santo, entoando em nome de toda Igreja o hino Veni Creator Spiritus. (Cf.: CANTALAMESSA, Raniero; GAETA, Saverio. O sopro do Espírito. São Paulo: Paulus e Editora Ave-Maria, 1998, p. 15-16; CHAGAS, C. Op. cit. p. 11; MANSFIELD, P. G. Op. cit. p. 8-10).

6-CHAGAS, Cipriano, OSD. A descoberta do Espírito e suas implicações para uma transformação eclesial – um estudo sobre a Renovação Carismática. Tese de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, RJ, 1976, p.11.

7-SANTANA, Luiz Fernando. O Espírito Santo e a Espiritualidade Cristã. Rio de Janeiro: Edições Bom Pastor, 1999, p. 3-4.

8-"Em seu breve pontificado, Ângelo Roncalli (1881-1963) provocará uma guinada histórica no catolicismo, com o seu testemunho de bondade, com seu espírito de diálogo e com a imprevisível convocação do Concílio Vaticano II." (DE FIORES, Stefano. A "nova" espiritualidade. São Paulo: Editora Cidade Nova/Paulus, 1999, p. 31).

9-CODINA, V. Creo em el Espíritu Santo - Pneumatologia narrativa. Espanha: Sal e Terrae, 1994. p. 51).

10-SANTANA, L. F. Op. cit. p. 41.

11-SUENENS, L. J. O cardeal Suenens opina sobre a Renovação Carismática. In. ALDUNATE, C. et al. A experiência de Pentecostes. A Renovação Carismática na Igreja Católica. 5. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1986, p. 40.

12-RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA. A identidade da RCC. São José dos Campos: FUNDEC, s/d, p. 12.

13-Entre as obras que irão documentar os fatos referentes ao retiro, e a partir das quais se multiplicarão os estudos sobre a Renovação, destacam-se duas: a primeira de Kevin e Dorothy Ranaghan, publicada em 1969 e traduzida para o português em 1972, traz os relatos e testemunhos daqueles que participaram dos eventos iniciais da Renovação. Para os autores o “Fim de Semana de Duquesne” foi “um dos mais notáveis acontecimentos na história do movimento pentecostal no mundo.” (RANAGHAN, K.; RANAGHAN, D. Católicos Pentecostais. São Paulo: O. S. Boyer, 1972, p. 33); a segunda, do Pe. Edward O’Connor, professor de teologia na Universidade de Notre Dame (South Bend, Indiana), publicada em 1971, procurou, não só descrever os acontecimentos, mas também, à luz da tradição católica e cronologicamente muito próxima dos fatos, fazer uma análise teológica sobre a Renovação Carismática. (O’CONNOR, Edward. D. The Pentecostal Movement in the Catholic Church. Notre Dame: Ave Maria Press, 1971).

14-MANSFIELD, Patti Gallagher. Como um novo Pentecostes: relato histórico e testemunhal do dramático início da Renovação Carismática Católica. 3. ed. Rio de Janeiro: Edições Louva-a-Deus, 1995, p. 3.

15-Idem, p. 65-68.

16-HÉBRARD, Monique. Os carismáticos. Porto: Editora Perpétuo Socorro, 1992, p. 9.

17-Cf. SUENENS, Cardeal León Joseph. Movimento Carismático: um novo pentecostes. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1996, p. 84.

18-Cf. CHAGAS, Dom Cipriano. Op. Cit. p. 37; Cf. RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA. Temas e Conferências, 1981, p. 2.

19-Sobre Comunidades Carismáticas ver: SMET, Walter. Comunidades Carismáticas. O testemunho insólito da renovação cristã. São Paulo: Edições Loyola, 1987; CORDES, Paul Joseph. Reflexões sobre a Renovação Carismática Católica, São Paulo: Edições Loyola, 1987, p. 74-77; SUENENS, L. J. Op. cit.; ANGE, Daniel. A Renovação, primavera da Igreja. São Paulo: Edições Loyola, 1999, p. 55-58; BURGESS, S. M. (Ed.). Burgess, Stanley M. (Editor). New International Dictionary or Pentecostal and Charismatic Movements. Michigan: Zondervan Grand Rapids, 2002, p. 473-76.

20-Cf. HOCKEN, P. The Catholic Charismatic Renewal. In.: SYNAN, Vinson. Century of the Holy Spirit. 100 years of pentecostal and charismatic renewel - 1901-2001. Nashville: Thomas Nelson Publishers, 2001, p. 219.

21-A pesquisa foi realizada através de questionários enviados pelo Escritório Internacional da Renovação Carismática Católica aos coordenadores ou equivalente em cada país do mundo. Um pequeno questionário com 7 perguntas, que tiveram suas respostas devolvidas por fax, e-mail e reforçadas com informações adicionais [Cf. BARRET, David; JOHNSON, Tood. The Catholic Charismatic Renewal, 1959-2025. In: PESAR, Oreste (Org.) “Then Peter stood up...”. Vatican City: ICCRS, 2000, p. 117-124].

22-Cf. BLAQUIÈRE, Georgette. Pentecostes é hoje: os grupos de oração da Renovação Carismática. 2. ed. São Paulo: Paulus, 1993, p. 11-13.

23-Cf. OLIVEIRA, Pedro Ribeiro et al. Renovação Carismática Católica. Uma análise sociológica. Interpretações Teológicas. Petrópolis: Vozes/INP/CERIS, 1978, p. 22.

24-BOLETIM do ICCRS. v. 23, n. 1, p. 3, jan.-fev. 2002. Mais precisamente em 1972 [Cf. BURGESS, S. M. (Ed.). Op. cit. p. 462].

25-Cf. BOLETIM do ICCRS, Idem. Ibid.

26-Cf. ALDAY, Salvador Carrillo. Renovação Carismática: um pentecostes hoje. São Paulo: Paulus, 1996, p. 5-6.

27-Reconhecendo o ICCRS como: “um corpo para a promoção da Renovação Carismática Católica, com personalidade jurídica”, segundo o Cânone 116 do Código de Direito Canônico (Pontificium Consilium pro Laicis. 1565/93 AIC-73).

28-Allan Panozza foi nomeado pelo então Papa João Paulo II, como membro do Pontifício Conselho para os Leigos (Conforme notícia divulgada em 25 de fevereiro de 2002, pela Secretaria de Imprensa da Santa Sé), o que teve uma repercussão importante para a Renovação Carismática (Cf. BOLETIM do ICCRS. v. 28, n. 2, p. 4, mar.-abr. 2002).

29-http://www.iccrs.org

30-Esta foi a primeira do gênero a ser reconhecida pelo Vaticano como associação privada de fiéis (Cf. HÉBRAD, D. Op. cit. p. 49). Para João Paulo II o ICCRS também deveria cumprir o papel de ser “uma organização cuja tarefa é coordenar e encorajar uma troca de experiências entre comunidades católicas e carismáticas do mundo inteiro.” (Cf. BOLETIM do ICCRS. v. 28, n. 2, p. 5, mar.-abr. 2002).






Fonte: http://www.rccbrasil.org.br

terça-feira, 13 de julho de 2010

XXIX Congresso Nacional da Renovação Carismática Católica do Brasil


O Congresso Nacional da Renovação Carismática Católica do Brasil é promovido a cada ano para todos os membros do Movimento e, também, para todos aqueles que queiram conhecer a dinâmica carismática.

Um evento marcado por momentos de oração, louvor, escuta profética, pregações e partilhas fraternas. No Congresso Nacional, podemos acolher os direcionamentos de Deus para a RCC do Brasil, o que nos permite conservar a unidade.

Renovamos nossas forças, fortalecemos nossa identidade e reassumimos o compromisso de, na força do Espírito, juntos, difundir a Cultura de Pentecostes.

O tema
“Proclama a Palavra, anuncia a Boa Notícia!”. Esta é a moção geral para a Renovação Carismática Católica do Brasil neste ano, sendo também a temática do Congresso inspirada na II Carta de Paulo a Timóteo (II Tm 4, 1-5).
Este tema tem como objetivo dar uma resposta ao mundo que apresenta tantas más notícias, mergulhado numa cultura de morte que desvaloriza a vida e que deprecia os valores cristãos. Neste contexto, a Palavra de Deus é destacada como luz que ilumina a todos (Sl 119, 105).

Programação
- Pregações;
- Momentos de oração;
- Shows;
- Feira Carismática;
- Grupo de Oração Tesouro de Deus.

Presenças:
- Michelle Moran, presidente do ICCRS - Serviço Internacional da RCC
- Oreste Pesare, diretor do escritório do ICCRS
- Jim Murphy (EUA), diretor do Instituto de Formação do ICCRS
- Dom Alberto Taveira, Arcebispo de Belém/PA
- Marcos Volcan, presidente do Conselho Nacional da RCCBRASIL e membros do Conselho

Local e data:
Expominas – Centro de Convenções e Feiras em Belo Horizonte/MG
14 a 18 de julho de 2010
Veja mais

Inscrições:
- Inscrições individuais e de caravanas: Clique aqui

Refeições:

Oserviço de alimentação oferecido será na modalidade self-service, com direito a uma porção de carne, suco e sobremesa. As refeições serão vendidas apenas antecipadamente e em 6 modalidades de pacotes. Veja abaixo:

Pacote Completo: 7 refeições - inclui todos os almoços e jantas durante os dias do Congresso, a partir de 15 de julho. Valor: R$ 60,00

Pacote Almoço: 4 refeições - inclui todos os almoços durante os dias de Congresso, a partir de 15 de julho. Valor: R$: 35,00

Pacote Jantar: 3 refeições – inclui os jantares durante os dias de Congresso, a partir de 15 de julho. Valor: R$ 26,00

Pacote Quinta: 2 refeições – inclui o almoço e o jantar no dia 15 de julho. Valor: R$ 18,00

Pacote Sexta: 2 refeições – inclui o almoço e o jantar no dia 16 de julho. Valor: R$ 18,00

Pacote Sábado: 2 refeições – inclui o almoço e o jantar no dia 17 de julho. Valor: R$ 18,00

O valor de inscrição para adultos e crianças é o mesmo.

O procedimento de compra é o seguinte:

Para quem optou por Inscrição individual:

- Para quem já está inscrito no Congresso: é preciso acessar a sua inscrição, através do botão “acessar minha inscrição individual” e informar seu número de inscrição (informação disponível no boleto bancário e no email de confirmação da inscrição) e data de nascimento. Após fazer seu login, você encontrará a opção sobre os pacotes de refeições. O pagamento será feito por boleto bancário.

- Para quem ainda não está inscrito no congresso: o primeiro passo será realizar a sua inscrição individual no Congresso. Após efetivar a sua inscrição no sistema, será preciso acessar novamente a sua inscrição, através do botão “acessar minha inscrição individual” e informar o número de inscrição e data de nascimento. Após fazer seu login, você encontrará a opção sobre os pacotes de refeições. O pagamento será feito por boleto bancário.

Aos chefes de caravanas:

São os chefes de caravanas que adquirem as refeições dos componentes de sua excursão.

Você deve acessar a inscrição de sua caravana, informando o código da caravana e senha. Após o login, você encontrará a opção de pacotes de alimentação. Selecione o tipo e a quantidade de pacotes e clique no botão "Comprar" correspondente. O pagamento será feito por boleto bancário.

Opções de transporte
Clique aqui e conheça suas opções.

Opções de hospedagem
Clique aqui e conheça suas opções.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

História da RCC no Rio de Janeiro

Este é um breve relato, que não pretende, e nem poderia, reunir todos os fatos que ocorreram naquele tempo. Ele surge a partir das experiências dos pioneiros em nosso Estado.

A história da Renovação Carismática Católica no Estado do Rio de Janeiro nos leva de volta no tempo à década de 70. Nesta década, os pioneiros da Renovação experimentavam este novo sopro de Deus para sua Igreja e lançavam-se sem temor a Seu serviço. Seus relatos nos revelam o quanto esta "novidade" tornava particularmente difícil a implantação dos trabalhos no estado, porém, são justamente estes que testemunham o quanto Deus se fez superar sobre cada um dos obstáculos. Obstáculos principalmente de comunicação, de formação e de aceitação. Não era incomum encontrar aqueles que temiam ser um "movimento momentâneo", algo meramente copiado dos irmãos protestantes, algo, inclusive, nocivo à Igreja. Porém, no decorrer do tempo, Deus revelou sua vontade.

Nosso ponto de partida é o ano de 1972. Irmã Lucille Lang, norte-americana, da Congregação de Nossa Senhora do Retiro no Cenáculo, juntamente com outros sacerdotes e alguns leigos, promoveu, no primeiro semestre daquele ano, a primeira Experiência de Oração do Rio de Janeiro, no Cenáculo de Laranjeiras. Na verdade, o retiro não possuía ainda este nome, mas já o seu esquema. Para este primeiro retiro, foram convidados, através de cartas, diversos religiosos, religiosas e alguns leigos. Dentre estes estava Irmã Trindade Campos, Missionária Serva do Espírito Santo, na época Superiora do Colégio Imaculado Coração de Maria, no Méier. Ela conta como o retiro ocorreu: sem nenhum evento extraordinário, mas cheio de sutis surpresas. O diferencial estava na profundidade das orações espontâneas, na vivacidade das pregações, na inexplicável "Força Interior" que brotava corajosamente nos corações.

Em agosto de 1972, em seu Colégio no Méier, Irmã Trindade fundava o primeiro Grupo de Oração da cidade do Rio de Janeiro, o G.O. Água Viva. Este grupo contava inicialmente com cerca de 30 participantes - alunos, pais de alunos, funcionários e religiosas do colégio. Em questão de meses, as reuniões dentro da capela do colégio foram transferidas para o salão nobre e o número de participantes já era superior a 200. É bem verdade, que na década de 90 soube-se que em Campos, no Convento dos Padres redentoristas houve um grupo que funcionava desde junho de 1972, mas que já havia se extinguido.

Os números revelam a força de crescimento do Movimento naquela década, apesar de todos os desafios, apesar da pouca estruturação do Movimento, apesar do pouco material informativo e apesar do espanto dos mais paradigmáticos. Registros demonstram que em menos de 3 anos o estado já possuía diversos grupos na capital. Os pioneiros foram: Méier (G.O. Água Viva - 08/1972), Humaitá (G.O. Betânia - 01/1973), Tijuca (G.O. Mãe das Américas - 09/1973), Cascadura (G.O. Alabarê - 04/1974), Cavalcanti (G.O. Maranatha - 01/1975). Por todo estado em pouco tempo também foram surgindo grupos. Foram pioneiros, Campos dos Goytacazes (G.O. N.S. Auxiliadora 11/1972), Volta Redonda (G.O. São João - 01/1974), Niterói (G.O. João XXlll 06 - 1975), Petrópolis (G.O. Nª Sª do Amor Divino - 02/1976), Nova Iguaçu (G.O. Espírito Santo 04/1976). É evidente que muitos outros grupos surgiram neste período, porém foram estes os registrados. A dificuldade de registro não estava na aceitação de seus trabalhos, mas na dificuldade de comunicação. Naquela época, a maioria dos grupos surgia dentro de residências e poucos dentro de paróquias.

Todo esforço de registro e acompanhamento estava com os primeiros participantes destes acontecimentos. Os grupos se uniam e deles saíam as lideranças. Já na década de 80 havia diversos grupos e um bom andamento dos trabalhos. Eram realizados Seminários de Vida, Experiências de Oração, Aprofundamentos e palestras por toda capital e pelo estado. As equipes de serviço eram formadas pelos coordenadores de grupos e membros de seus núcleos. Citam-se: Dom Cipriano Chagas, Irmã Trindade Campos, Gilda Celeste Santana, Helena Rios Machado, Maria Lucia Viana , Wilma Rodrigues de Oliveira, Luis Carlos Agostini etc. Os retiros eram organizados em casas de retiro, colégios e paróquias de acordo com a necessidade e a disponibilidade de local. Os seminários eram profusos e extremamente frutuosos. Havia muito serviço a realizar e muita disposição também.

Este relato pode parecer heróico e distante da atual realidade, entretanto o Deus que enchia aqueles corações de ardor e força missionária é o mesmo que continua a agir hoje na Renovação. A história que o Movimento apresenta deve nos servir de estímulo, para não desistir frente às dificuldades, nem desanimar. Ma enfrentando-as, no Espírito, prosseguir decididamente!


Fonte: www.rccrj.org.br

domingo, 20 de setembro de 2009

ADOTE UM PADRE

ADOTE UM PADRE
Dom Murilo S.R. Krieger, scj
(Arcebispo de Florianópolis)


A vida dos sacerdotes sempre foi exigente. E nem poderia ser diferente, já que são chamados a continuar a missão de Cristo, o Bom Pastor. Em nossos tempos, porém, os desafios se multiplicam e exigem respostas sábias, decisões imediatas e constantes posicionamentos sobre os mais diversos temas. Portanto, quanto mais santo e sábio for o presbítero, mais e melhor servirá a Igreja. Além disso, como a vocação sacerdotal é um dom de Deus não só para aquele que é seu primeiro destinatário, mas para a Igreja inteira, um bem para sua vida e missão, toda a Igreja é chamada a proteger esse dom, a estimá-lo e a amá-lo. Dito isso com palavras do saudoso Papa João Paulo II: "Todos os membros da Igreja, sem exceção, têm a graça e a responsabilidade do cuidado pelas vocações" (PDV, 41). Essa responsabilidade sempre foi cultivada na Igreja. Prova disso é, entre outras coisas, o apelo constante para que todos rezem não só pelo aumento das vocações, mas também para a santificação daqueles que já são padres. Sempre houve na Igreja grupos, comunidades e associações com o propósito principal de rezar pelos sacerdotes.

É nessa linha que se entende a sugestão que agora apresento: ADOTE UM PADRE! Dentre os sacerdotes que você conhece ou que atuam na Igreja, escolha um deles, e passe a rezar diariamente por sua santificação. Ofereça sacrifícios para que ele exerça bem seu ministério. De preferência, nunca lhe fale sobre isso, nem faça comentários a esse respeito com outras pessoas. Os detalhes dessa "adoção" sejam conhecidos somente por você e pelo Bom Pastor. Guarde esse segredo cuidadosamente em seu coração, mas seja fiel a ele, dia por dia. Fazendo isso, você estará respondendo a um apelo da Igreja, que constantemente nos recorda: "Todo o Povo de Deus deve incansavelmente rezar e trabalhar pelas vocações sacerdotais" (PDV, 82). Sua resposta ao apelo de adotar um padre determinado terá uma particularidade: você não estará rezando somente pelo clero em geral, mas por um padre com um nome e um rosto, o que, certamente, motivará ainda mais suas orações, jejuns e sacrifícios. E, tenha certeza: COM A SANTIFICAÇÃO DE SEU "ADOTADO", TODO O CLERO SE SANTIFICARÁ. DEUS, ENTÃO, SERÁ MAIS GLORIFICADO. E O POVO DE DEUS, MAIS E MAIS SE ENRIQUEÇERÁ.

Dom Murilo S.R. Krieger, scj (Arcebispo de Florianópolis)



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Vídeo indicado:
youtube

Fonte:

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Méier

O Méier é um dos mais tradicionais e importantes bairros cariocas, estando localizado na Zona Norte do Rio de Janeiro, no Brasil. Apresenta duas aparências urbanas distintas: uma mais agitada nas áreas próximas da rua Dias da Cruz e da estação ferroviária, e outra mais calma nas ruas mais internas. O Méier é habitado, na sua maioria, por famílias de classe média e é o décimo sétimo bairro carioca com maior IDH, de 0,931, sendo um dos mais valorizados da Zona Norte, só perdendo para o Jardim Guanabara (0,962), Maracanã (0,944) e o Grajaú (0,938)[1].Apesar do bairro praticamente não possuir favelas(há apenas uma pequena comunidade na rua Joaquim Méier), alguns de seus bairros vizinhos e próximos(Lins, Engenho Novo, Água Santa, Jacarezinho) são cercados por estas comunidades carentes, o que tem causado um aumento muito grande da violência no Méier, em especial roubo a carros, transeuntes e até residências, mas o que tem assustado mais os moradores atualmente é a alta frequência de tiroteios, oriundos de perseguições policiais ou de confrontos em favelas dos bairros vizinhos. O Méier faz divisa com os bairros do Lins de Vasconcelos, Engenho de Dentro, Cachambi, Engenho Novo e Todos os Santos. É no bairro que se localiza o primeiro shopping do Brasil, o Shopping do Méier, inaugurado em 1963.

No século XVIII o bairro era uma fazenda de cana-de-açúcar. Em 1760 houve desentendimentos entre os Jesuítas (os donos da fazenda) e a Coroa Portuguesa que os expulsou do Rio de Janeiro. A fazenda então foi dividida em três partes: Engenho Novo, Engenho Velho e São Cristóvão. Em 1884, Dom Pedro II presenteou um amigo com parte das terras. Esse amigo tinha o nome de Augusto Duque Estrada Meyer (filho do comendador Miguel João Meyer, português de origem alemã e um dos homens mais ricos da cidade, no final do século XVIII), conhecido como Camarista Meyer por ter livre acesso às Câmaras do Palácio Imperial.

Por sua causa, a região ficou conhecida como "Meyer" (pronuncia-se "Maier"), e depois de um tempo os moradores aportuguesaram para Méier. Os primeiros habitantes da região eram escravos fugidos que formaram quilombos na Serra dos Pretos-Forros.

Cortado pela Estrada de Ferro Central do Brasil, a história do Méier às vezes se confunde com a dos trens. O aniversário da sua estação ferroviária é utilizado como data de fundação do bairro: 13 de Maio de 1889. A Estrada de Ferro foi de extrema importância para o início de um acelerado progresso da região, atualmente conhecida como Grande Méier. A partir da década de 1950 o bairro explodiu demográfica e comercialmente. Em 1954 o bairro ganhou o Imperator, na ocasião a maior sala de cinema da América Latina com 2.400 lugares. Em seguida foi a vez do Shopping do Méier se instalar no bairro, o primeiro do gênero a ser inaugurado no Brasil.

Um dos grandes problemas do Méier é o trânsito. O aumento de tráfego após a implantação da Linha Amarela somado as vias de acesso que ainda mantém um dimensionamento obsoleto complicam o trânsito na região, tornando-o por vezes caótico. Quem vem do Centro enfrenta congestionamentos na avenida 24 de Maio e quem sai da Linha Amarela observa trânsito lento em ruas como Arquias Cordeiro, Borja Reis e Dias da Cruz, principalmente no horário de rush.

É um dos principais pólos comerciais da cidade e um dos bairros cariocas que mais vem se desenvolvendo. O início deste novo ciclo de progresso começou com a concretização da Linha Amarela. É possível observar o surgimento de construções de grandes condomínios e prédios de alto padrão, em maior parte nas ruas transversais à rua Dias da Cruz. A construção do Estádio João Havelange, no bairro vizinho do Engenho de Dentro, promete alavancar de vez o comércio local, que hoje apresenta sinais de recuperação após um período de decadência por conta da concorrência do Norte Shopping. Alvo de reclamação de seus moradores, as opções de lazer no bairro deixam a desejar.




Fonte: pt.wikipedia.org

Basílica do Imaculado Coração de Maria, Rio de Janeiro, RJ

O Méier, como quase todo bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, é dividido em dois lados: o lado de cá e o lado de lá. Não sei se com todos acontece isso, mas ao menos comigo foi assim desde criança: o meu lado é o lado de lá. Não importa muito de que lado eu esteja. Mas o meu lado é o lado de lá.

Por isso, e para acabar ainda mais com as ambigüidades, geralmente usa-se pontos de referência para fazer saber o intelocutor de que lado você está falando. O meu lado do Méier, o lado de lá diga-se, é o lado do Bombeiros, do Jardim do Méier e da Igreja. Só há essas três possibilidades. Não que não haja mais pontos de referência, mas o Bombeiros pelo seu vermelho aceso, o Jardim pelo verde em meio ao cinza da cidade, e a Igreja pelo seu medievalismo cor de adobe são definitivamente os tons que pintam quando alguém pensa no lado de lá.

A Igreja do Imaculado Coração de Maria é, na verdade, uma basílica, que em arquitetura é o termo usado desde os helenos para designar um grande espaço coberto. Cristãos e afins se apropriaram do termo para intitular seus templos. Mas o que a Basílica Coração de Maria me lembra é, sem dúvida, um grande castelo medieval.

O fato de não ter as paredes pintadas, deixando aparentes o jogo dos tijolos com os vitrais e as serrilhadas nas torres me reportam diretamente aos romances de cavalaria à Suassuna. Mesmo porque, no fundo, o estilo da basílica não é tanto medieval, mas mais mourisco. Diz-se que é o único templo católico mourisco no Rio, quiçá no Brasil. Outros, por sinônimo, se referem ao único templo mozárabe.

Mas sua construção, é claro, não é tão antiga quanto as catedrais européias. Construída entre 1909 e 1929, pelo arquiteto e urbanista Adolfo Morales de Los Rios, o mesmo que no Rio do prefeito Pereira Passos já havia dado formas ao prédio da então Escola de Belas Artes (hoje Museu Nacional de Belas Artes), a igreja atualmente é ladeada à esquerda por um cruzeiro, construído pela família Sendas e doado aos fiéis e abriga ainda um brechó beneficente e a sede das reuniões dos Alcóolicos Anônimos do Méier.

Para quem não é católico (aliás, como eu), não custa (aliás, não custa nada mesmo!) admirar a beleza estética do prédio. Amém!



por: Viktor Chagas

Fonte: www.overmundo.com.br

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Dom Cipriano Chagas, OSB - Breve biografia

Dom Cipriano Chagas, OSB

Fundador da Comunidade Emanuel.

Nasceu em Passos, Minas Gerais, filho de Antônio Rodrigues Chagas e Luíza de Souza Cintra, em 13 de fevereiro de 1923. Fez o Ginásio do Estado em Ribeirão Preto, SP, e formou-se em Contabilidade e Economia na Escola de Comércio "Álvares Penteado", em São Paulo. Foi locutor na BBC, em Londres. Foi espírita em sua juventude.

Casou-se em 1954 com Raquel, que o levou à conversão ao catolicismo e lhe deu um filho, Eduardo. Com o falecimento de ambos, tornou-se monge beneditino. Fez mestrado em Psicologia Pastoral na PUC do Rio de Janeiro e extensão no Instituto Católico de Paris.

Fundador de Comunidades de Cursilhos de Cristandade e um dos pioneiros da Renovação Carismática Católica no Brasil.

Fonte: www.comunidadeemanuel.org.br

INÍCIO DA RCC NO RIO - OUTRO RELATO

A Renovação Carismática Católica no Rio de Janeiro já tem 20 anos de existência (Texto editado em setembro de 1991). O Espírito Santo inspirou a implantação dos primeiros Grupos de Oração desta cidade desde 1972, quando surgiu no Méier o "Grupo Água Viva", no Colégio Coração de Maria, coordenado pela Irmã Trindade Campos. Naquela ocasião, Pe. Eduardo Dougherty, um dos sacerdotes jesuítas que trouxeram a experiência do batismo no Espírito Santo para o Brasil, percorria vários lugares e ajudava a orientar os primeiros grupos de oração carismática que surgiram. Pe. Eduardo deu um grande incentivo ao grupo "Água Viva" e Ir. Trindade formou uma equipe que muito trabalhou pela RCC.

O mesmo acontecia com o Pe. Haroldo Rahm que também levava pelo Brasil as "Experiências de oração" em retiros de fim de semana. Aqui no Rio, Adelcy Rocha organizava estas "Experiências de Oração" e aprofundamentos mensalmente, com cerca de 180 participantes por vez, apoiando Pe. Haroldo, Pe. Sales, Pe. Alírio e Pe. Eduardo com a equipe que coordenava. Adelcy organizou por muitos anos estes retiros que incluíam jovens, crianças e adultos.

Em casa de Adelcy surgiu o grupo "Pequena Betânia", em 1973. Era o primeiro grupo da Zona Sul da cidade. Em Cascadura começou O grupo "Alabaré" em 1974. As primeiras "Experiências de Oração" foram realizadas na casa das Irmãs de N. Sra. do Cenáculo, nas Laranjeiras e foi assim que nossa querida e saudosa Ir. Lucille Lang começou dois grupos em março de 1975. O "Grupo do Cenáculo" e os Seminários de Vida no Espírito Santo eram freqüentados por quase todos os membros da RCC na época. Em dezembro de 1975, Doris R. Carvalho, que participava do grupo "Pequena Betânia" na casa de Adelcy, iniciou em sua própria casa, na Rua Pompeu Loureiro, o grupo "Bom Pastor" que hoje é o grupo de maior número de participantes do Rio de Janeiro (mais de 2.000 pessoas).

Na mesma ocasião, D. Cipriano Chagas, recém-chegado da França e, tendo participado do 1º Congresso Internacional da Renovação Carismática em Grottaferrata, perto de Roma, em 1975, deu início ao Grupo "Emanuel" em janeiro de 1976, no Mosteiro de São Bento. Na ocasião, D. Cipriano coordenava a Renovação Carismática do Rio de Janeiro com uma equipe que se reunia no Mosteiro e organizava mensalmente Tardes de Oração com ensinamentos e partilha para os líderes dos grupos de oração. Em 1976 D. Cipriano orientou os coordenadores que formassem os Núcleos dos grupos de oração. Naqueles primeiros anos, os grupos reuniam-se nas casas e em colégios. Houve várias "Experiências de Oração", Seminários de Vida no Espírito e Aprofundamentos, no Mosteiro de São Bento. Dos primeiros grupos saíram líderes que abriram outros grupos. Assim a RCC começou a inserir-se na vida das igrejas e nas pastorais.

Em maio de 1976, o grupo "Bom Pastor" iniciou um trabalho de assistência ao leprosário e transferiu-se para o 8º andar do Edifício da Paróquia N. Sra. de Copacabana. Mais grupos de oração continuaram nascendo, como o grupo "Shalom", na Leopoldina, que reunia um grande número de participantes jovens, liderados por Décio Darcy Silva. A Renovação crescia em todas as partes. Em 1977, surgiu o grupo .Jesus Senhor", primeiro no Colégio Sta. Tereza e, em seguida, transferido para a Paróquia de São Francisco Xavier. Da mesma época, datam o grupo "Coração de Maria" na Igreja dos SS. Corações, na Tijuca, e o grupo "Sta. Mônica", no Leblon. Nesta fase, os grupos já estavam nas igrejas e salões paroquiais. Em 27 de abril de 1978, a Renovação Carismática do Rio de Janeiro foi inserida pela Arquidiocese nas linhas da Pastoral e integrou a Pastoral de Conjunto no 6º Plano Pastoral.

Em seguida, o primeiro Conselho Arquidiocesano da RCC foi formado, sendo nomeado assistente espiritual o Pe. Manuel Louzada e D. Romer, o bispo responsável pela Renovação no Rio. A cidade foi dividida em setores, conforme os vicariatos e, em cada setor, havia um coordenador. Os coordenadores formavam o Conselho Arquidiocesano da RCC do Rio.

O Grupo "Bom Pastor" continuava a crescer e em 1979 foi para dentro da Igreja N. Sra. de Copacabana. Em 1980 surgiu a obra social com os mendigos "Pequeninos de Jesus" e em 1981 uma ação evangelizadora nas escolas públicas da Zona Sul. O primeiro trabalho da Renovação a nível arquidiocesano foi a preparação para a visita do Papa em 1980. Durante um mês, todas as equipes vicariais revezavam-se em plantões de atendimento telefônico dentro da Cúria diocesana. Este trabalho foi repetido por ocasião do Ano Santo.

Reconhecidamente, a Renovação começou a participar dos eventos arquidiocesanos e desde então, faz-se representar na CEMAL (Comissão, Entidade e Movimentos Arquidiocesanos Leigos), cuja presidência hoje está a cargo de uma líder da Renovação, Helena Machado.

Em fevereiro de 1980, foi publicada no Boletim do Clero uma Instrução Pastoral sobre a RCC, que teve continuidade na edição de abril de 1981. Estas orientações incluíam a Renovação nas normas diocesanas dos vicariatos. Mais esclarecimentos através do Boletim do Clero saíram em setembro de 1983 e, em julho de 1985. O Pe. Javier Enciso foi efetivado corno Assistente Eclesiástico. Ficou estabelecido pelos Estatutos do Conselho que o Coordenador do Vicariato seria escolhido pelo Vigário Episcopal dentro de uma lista tríplice feita pela equipe vicarial. O Estatuto foi assinado por D. Romeu Brigenti em 1988.

Hoje, há mais de 200 grupos de oração no Rio de Janeiro. Cada Vicariato tem um Coordenador, um Vice-Coordenador e um Assistente Espiritual.

A equipe vicarial agiliza os trabalhos de evangelização, pregação em retiros, cursos, Seminários de Vida no Espírito e sustenta diversos ministérios de serviço. Grande parte dos retiros são hoje realizados no Priorato de S. Bento no Alto da Boa Vista mas, as atividades dentro dos Vicariatos são ininterruptas. Há várias comunidades de aliança que se formaram a partir dos grupos de oração. Grandes comunidades como a do "Bom Pastor" e a "Emanuel" têm ministérios específicos em âmbito de evangelização e ação social. O "Bom Pastor" tem sua sede no 9º andar da Casa Paroquial de N. Sra. de Copacabana, com livraria, atendimento, S.O.S. de telefone além de trabalho com os mendigos e evangelização nas escolas públicas.

A "Comunidade Emanuel", na Rua Cortines Laxe nº 2, no Centro da cidade, tem uma livraria, publica livros, cassetes e a "Revista Jesus Vive e é o Senhor", de âmbito nacional, promove cursos de formação e seminários. Em sua ação social mantém uma creche para crianças pobres.

Várias comunidades com ministério específico como a Comunidade de Cura Interior" Jesus Vive", coordenada por Tereza Arruda e Pe. Javier, atendem a todo o Brasil. A "Associação do Senhor Jesus", dirigida por Pe. Eduardo, cujo ministério é a evangelização pela televisão, abriu um escritório no Vicariato Urbano, com atendimento de cura, grupo de oração e de intercessão, além da divulgação de livros, cassetes e vídeo-cassetes.

As comunidades e associações são inseridas em seus vicariatos. Atualmente o Conselho Arquidiocesano da Renovação Carismática do Rio de Janeiro é coordenado por Hugo Queiroz Evaristo Carlos, sendo o Assistente Espiritual Pe. Javier Enciso, S.J.

Os coordenadores dos Vicariatos (eram):
VIRGÍLIO DUARTE SOBRINHO - Vic. Leopoldina
ANTÔNIO HONORATO - Vic. Oeste
HELENA MACHADO - Vic. Norte
MARIA LAURA ARAÚJO - Vic. Urbano
TEREZINHA ASSUMPÇÃO - Vic. Sul
JOSÉ OLÍMPIO DE ABREU BARRETO - Vic. Suburbano

Há trabalhos característicos nos diferentes vicariatos: o Vic. Suburbano dedicou-se a Seminário de Vida no Espírito e Experiência de Oração para casais; o Vic. Leopoldina tem um grande trabalho com os jovens; o Vic. Norte faz formação cristã para líderes e tem um forte ministério de ensino; o Vic. Sul é conhecido por seu ensino de formação e evangelização e ação social nas favelas; o Vic. Oeste tem um intenso trabalho de evangelização e Seminário de Vida no Espírito em novos grupos; o Vic. Urbano, em nova organização, abre novos grupos e faz atendimento aos carentes.

Sendo discernida e aprovada a publicação de um jornal que fosse o órgão oficial do Conselho para toda a RCC do Rio, formamos uma equipe com um elemento de cada vicariato e estamos iniciando o trabalho com este número do "RIO DE ÁGUA VIVA". Damos graças ao Senhor Jesus pelos irmãos que abriram caminho para a Renovação Carismática que tem trazido tantas graças a esta cidade. E louvamos o Senhor por este Pentecostes de hoje que já atinge assembléias em estádios com milhares de pessoas e leva vida nova às pastorais das paróquias. Com as bênçãos de nossos pastores, principalmente de D. Eugênio, prosseguimos em nossos esforços.

Conforme as palavras do Papa Paulo VI e João Paulo 11, a Renovação é uma graça para a Igreja e leva as pessoas à conversão profunda, no amor à Palavra, aos Sacramentos e à oração.

Texto extraído do orgão oficial de informação e orientação do Conselho Arquidiocesano da Renovação Carismática Católica do Rio de Janeiro.

REDAÇÃO:
Maria Lúcia Vianna - Coordenação


COLABORADORES:
Ronaldo Lima - Vicariato Norte
Antônio Neves - Vicariato Urbano
Anarrita Quelho Tavares - Vicariato Suburbano
Maurício B. Campista - Vicariato Leopoldina
Petrônio Geraldo Canabrava - Vicariato Sul
Antônio Honorato - Vicariato Oeste


Fonte: www.petroniocanabrava.hpg.ig.com.br

Pe. Jonas Abib ... Monsenhor Jonas Abib

Nasceu no dia 21 de dezembro de 1936 em Elias Fausto (SP).

Filho de Sérgio Abib, de descendência sírio libanesa e de Josepha Pacheco Abib, de descendência italiana, residente em São Paulo.

Aos 7 anos, iniciou o curso de primeiro grau no Colégio Padre Moye, em São Paulo (SP) dirigido pelas Irmãs da Providência de Gap.

Aos 12 anos, passou a estudar no Liceu Coração de Jesus na capital paulista e a trabalhar nas oficinas de artes gráficas, no setor de encadernação.

Aos 13 anos, foi transferido para o Colégio São Manoel, de Lavrinhas (SP), com o objetivo de integrar-se no seminário salesiano, de onde, mais tarde, partiu para Pindamonhangaba (SP), para cursar o ensino médio, no Instituto do Coração Eucarístico, e em seguida foi estudar Filosofia, no Instituto Salesiano de Filosofia e Pedagogia, em Lorena (SP).

Terminada esta etapa, cursou teologia em São Paulo no Instituto Teológico Salesiano Pio XI do Alto da Lapa e foi ordenado sacerdote em 1964. Escolheu o seguinte lema: "Feito tudo para todos".
Como padre novo em São Paulo, trabalhava com os jovens. Lecionando na Faculdade de Ciências e Letras de Lorena (SP), e dava assistência à juventude fazendo encontros e retiros.

Em 1971, Padre Jonas conheceu a Renovação Carismática Católica, que marcou sua vida e ministério. Empenhou-se mais ainda no trabalho com a juventude e em 1978 fundou a Comunidade Canção Nova, que tem a missão de evangelizar pelos meios de comunicação social.

Em 1980, a Comunidade Canção Nova passou a atuar nos meios de comunicação com a Rádio Canção Nova, hoje com potência que abrange todo Brasil e o mundo pela Internet. A partir de 1989, a Comunidade Canção Nova começou a atuar com uma retransmissora de TV - TVE do Rio de Janeiro - atingindo atualmente também todo o mundo através da Internet.

No ano de 2002, Padre Jonas Abib celebrou os 25 anos da Comunidade Canção Nova. Uma data marcante para toda a comunidade.

Também em 2002, padre Jonas encontrou-se com o Papa João Paulo II e, para ele, esse encontro foi confirmação de sua missão na Canção Nova.

No ano de 2004, padre Jonas Abib consagrou a televisão Canção Nova em Portugal no altar do mundo. Junto com a televisão foram consagrados todo o Sistema Canção Nova de Comunicação e também os membros e sócios desta obra.

Em 2004 também, Padre Jonas, juntamente com a Comunidade Canção Nova e todos os sócios, inauguraram o Centro de Evangelização Dom João Hipólito de Moraes, um local para mais de 80 mil pessoas. Foi o maior evento da Comunidade Canção Nova, chamado de "Hosana Brasil".

Em 2005, participou dos funerais do Papa João Paulo II, no Vaticano, e acompanhou o processo de eleição de Bento XVI fazendo comentários ao vivo pela TV Canção Nova.

Em 2006, recebeu o prêmio Santa Clara da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) pelo documentário Concílio Vaticano II, produzido pela TV Canção Nova.

Em 2006, acolheu na sede da Canção Nova, em Cachoeira Paulistas (SP), membros e amigos da Fraternidade Católica Internacional, no 12º Congresso Mundial das Novas Comunidades, com a presença do presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Dom Stanislaw Rylko.

Aos 70 anos de idade, gravou, no dia 10 de agosto de 2007, seu primeiro DVD musical, intitulado "Como é linda a nossa família". O show foi realizado, no teatro da AMAM, em Resende (RJ), e teve a participação de cantores da Canção Nova. Lançado no dia 2 de fevereiro de 2008, quando a Comunidade completou 30 anos, o trabalho apresenta algumas das melodias consagradas em sua caminhada na música católica.

Em 17 de outubro de 2007, padre Jonas recebeu o título de monsenhor concedido pelo Papa Bento XVI a pedido do bispo da diocese de Lorena (SP), Dom Benedito Beni Santos. O título de "monsenhor" é dado pelo Papa a padres que se destacam por relevantes serviços prestados à Igreja e ao povo de Deus em suas dioceses.

No dia 13 de Novembro de 2007, padre Jonas Abib recebe homenagem em sua cidade natal Elias Fausto, interior de São Paulo. Ele recebeu uma menção honrosa da Câmara Municipal, em reconhecimento aos serviços prestados pelo sacerdote à Igreja.

No dia 30 de Novembro do mesmo ano, Monsenhor Jonas recebe homenagem honrosa na camara dos deputados em Brasília, pelos 25 anos da Fundação da João Paulo II e pelos 30 anos da Comunidade Canção Nova.

No dia 25 de Abril de 2008, Monsenhor foi homenageado na cidade de São Vicente em um evento que reuniu centenas de pessoas. A homenagem foi pelos serviços relevantes prestados a Igreja e a sociedade.

No dia 3 de novembro de 2008, a Comunidade Canção Nova recebeu o Reconhecimento Pontifício, em Roma, no Vaticano. Desde então essa obra de Deus é considerada, pela Santa Sé, uma "Associação de fiéis Internacional de Direito Pontifício", o que significa estar a serviço não somente da Igreja local (arquidiocese ou diocese), mas a serviço da Igreja no mundo inteiro.

No dia 21 de janeiro de 2009, a Comunidade Canção Nova foi admitida oficialmente na Família Salesiana, durante a reunião do Conselho Geral dos Salesianos, em Roma, pelo Reitor-Mor dos Salesianos, padre Pascual Chávez Villanueva. Os salesianos são uma organização internacional de pessoas dedicadas, em tempo integral, ao serviço dos jovens, especialmente os mais pobres e necessitados.

Hoje, além de pregador internacional, músico e escritor, mons. Jonas é membro do Conselho Nacional da Renovação Carismática Católica e da Diretoria Executiva da Fraternidade Católica Internacional, órgão ligado ao Pontifício Conselho para Leigos da Santa Sé, em Roma, e presidente da Fraternidade das Novas Comunidades de Vida e Aliança no Brasil.


Fonte: www.cancaonova.com

Pe. Eduardo, de jogador de basquete a sacerdote jesuíta...

Nome: Edward John Dougherty

Data nascimento: 29/01/41
Nacionalidade: EUA (New Orleans)
Padre Religioso - pertence a Ordem dos Jesuítas

De jogador de basquete a sacerdote jesuíta... Dos Estados Unidos para o Brasil... Do Brasil para o mundo... Uma vida marcada pelo poder de Deus!

Na década de 60 ele era um jovem com um futuro promissor no basquete. Fazia parte do time do colégio dos jesuítas em sua cidade natal, New Orleans, nos EUA, onde estudava e freqüentava a missa. Um dia, numa dessas missas, ele sentiu o chamado de Deus para a vida sacerdotal e respondeu SIM, com um coração aberto e sincero.

Em 1969, antes de se ordenar, ele teve uma profunda experiência de Deus que mudou radicalmente sua vida: o batismo no Espírito Santo. A partir de então, percebeu que aquele poder que acompanhava os apóstolos no começo do cristianismo, acompanharia também sua missão nos dias de hoje. Era o nascimento da Renovação Carismática Católica.

Aos 24 anos, ordenou-se sacerdote. Pensava em ser missionário na África, mas a providência divina quis que ele viesse para o Brasil. Em seus primeiros anos de sacerdócio, espalhou a força da Renovação Carismática pelo Brasil, pregando retiros e abrindo aos católicos a possibilidade de uma vida espiritual mais profunda e cheia de frutos.

Por causa disso, passou a ser muito requisitado em todos os cantos do país. Ele atendia a todos os pedidos incansavelmente, fazendo a Renovação crescer e ganhar força por onde passava.

Porém, chegou um tempo em que não era mais possível atender a tantos pedidos. Foi então que ele sentiu no coração um outro chamado de Deus: começar a trabalhar com os meios de comunicação. Só assim ele poderia atender à sede que as pessoas têm de uma experiência profunda de Deus.

Em 1980, Pe. Eduardo fundou a Associação do Senhor Jesus, com a finalidade de evangelizar através dos Meios de Comunicação.

A obra começou numa garagem de apenas 50m². Mas Deus abençoou grandemente este humilde começo. Logo as pessoas acreditaram nessa proposta e se comprometeram, fazendo desta causa uma bandeira que deveria ser empunhada por muitos.

Hoje a Associação ocupa uma área de 24000m², com estúdios, ginásios cobertos, capelas... Tudo isso voltado para a produção de vídeos e programas de evangelização com conteúdo e qualidade. Conta com a participação de milhares de sócios benfeitores de todas as regiões do país. Edita a revista Brasil Cristão com tiragem de 184 mil exemplares e seu site recebe a visita de milhares de pessoas de todo o mundo. Os vídeos produzidos pela Associação já foram exibidos em várias partes do mundo, alcançando grande sucesso, anunciando o Evangelho e promovendo a paz. Em 1999 Pe. Eduardo recebeu a concessão de um canal de televisão, a TV Século 21, que coloca no ar toda a produção da Associação do Senhor Jesus.

Pe. Eduardo está convicto de que a paz e a verdadeira felicidade não chegarão ao mundo de hoje sem a formação integral da pessoa humana e sem a transmissão dos valores éticos e cristãos.


Fonte: www.asj.org.br/padreeduardo.asp